
Crônica inspirada na música Valsinha, de Chico Buarque. Baseada em como as pessoas se deixam levar por uma rotina e esquecem de ver o resto do mundo.
A maioria dos finais nos contos de fadas sentencia que as pessoas vivem felizes para sempre. Precisam passar por trabalhos e desafios, para provar o mérito da alegria. Uma bela lição passada para as crianças que, infelizmente, crescem e deixam esse a assunto para as próximas gerações. Tudo culpa de uma tal responsabilidades com “coisas de gente grande”, que dilui a sensibilidade na preocupação com os afazeres cotidianos.
A rotina, que sufoca nossas vontades, sistematiza tudo no dia. A gente acorda pensando no final do dia, das atividades no meio tempo, para daí lembrar daquele compromisso, para correr para não se atrasar e, se sobrar um tempo, parar na frente do espelho e conseguir perceber que está na hora de dar um trato na aparência. De tanta coisa, mal sobra tempo para a gente mesmo, quem dirá para as pessoas ao nosso redor.
Se a vida for esquematizada como no um mais um, ela vai ser tão empolgante como uma aula de matemática aplicada. Para combater isso vale até aqueles conselhos clássicos, como fazer ou aprender uma coisa nova por dia. Porém, a resposta não está em só seguir fórmulas, mas sim fazer da sua própria maneira.
Não adianta só acreditar que vai encontrar um pote de ouro no final do arco-íris, ou que vai um príncipe em um cavalo branco vai te levar para longe, é preciso agir. E não importa aquilo que os outros pensam, se o isso que você faz traz sua felicidade sem interferir na dos outros.
Mas se você acha tudo isso uma fantasia como dos contos de crianças, tomara que sobre um espaço em sua agenda para as consultas ao cardiologista que estão por vir. Pense bem, aproveite os bons momentos, para que sua vida não se torne uma moral de história daquelas que as crianças não gostam de ouvir.

Se me pedissem para definir a sociedade em uma metáfora, coisa que já seria um tanto quando redundante, eu diria que ela é como um ônibus, daqueles que tenho que pegar todos os dias. Não pelo caminho sempre certo que seguem ou a sua logística aplicada para distribuir certas pessoas em determinados lugares. Muito pelo contrário, pois é naquele ambiente de transição que está a base da vida em grupo.
Por começar na posição dos tripulantes. Há um motorista, que conduz a vida e toma as decisões por todos os outros naquele momento, mas, como avisa a placa, esta acessível somente para assuntos imprescindíveis, mais ou menos como os políticos. Tem também um cobrador, que representa as forças opressoras e de controle das massas, cobrando as passagens e bradando de seu trono privilegiado o “passinho pra frente”. Já os outros são meros passageiros.
A fauna usuária do serviço é o grupo mais interessante de ser observado. Como o perdido, que a cada ponto faz como aquelas crianças para o cobrador ou para o companheiro de banco, pedindo “tá chegando?”. Tem também a evangélica, que é aquela figura atarracada de saia, com um coque tão preso no cabelo que chega a saltar as órbitas dos olhos, que só mesmo com a graça de Deus consegue passar de ponta-a-ponta em um ônibus lotado.
E por falar em lotação, há momentos em que nem o pudor ou uma síndrome de claustrofobia conseguem espaço. O calor humano é denso no sentido mais olfativo da coisa, em que é relativo ao número de braços erguidos e o prazo de validade do desodorante dos mesmos. Ainda, se você não tiver a sorte de ir acomodado em um banco, seu corpo vai roçar a cada curva e parada em sinal, mais ou menos como uma lambada dançada por um epilético.
Para a boa convivência em grupo, há algumas regras que prezam o bem-estar: oferecer o lugar aos mais velhos, gestantes e deficientes; não pagar passagem com notas maiores do que dez reais, para agilizar o troco; e, um dos mais importantes, ser paciente e resistente como uma rocha, para levar bolsadas, cotoveladas, bundadas e outros golpes involuntários.
O tempo que você precisa ficar dentro de um ônibus pode ser muito curioso e até mesmo útil, mesmo que a trilha sonora seja aquele pancadão que leve seu humor ao nocaute. Lá você conhece os mais célebres dramas anônimos, do amigo do amigo da vizinha de fulano, ou aprende aquele plano mirabolante de economizar no orçamento doméstico pegando papel higiênico da faculdade.
Tudo isso são coisas tão interessantes quanto a novela das oito. É só a maioria que não presta muito bem a atenção. Eu não sei até que ponto as pessoas querem chegar. Tudo o que sei é que eu devo saber muito bem até onde vou, para que no caminho eu não interfira no dos outros. Afinal, a vida social não é uma mera viagem nesse caso.
Joel Minusculi
Que pega ônibus todo santo dia
Os meios justificam e qualificam seus fins
Publicado Agosto 31, 2007 r Comentário Deixar um Comentário
Parece que há setores da sociedade que têm visão de futuro e de desenvolvimento. Posso estar muito enganado, ou talvez inebriado por códigos binários, mas a campanha do Estadão que desmerece os blogs não foi nada simpática. Nas propagandas veiculadas no começo dessa semana em impressos e televisão é colocada em cheque a confiabilidade da informação publicada nos blogs. Algo muito errado, principalmente pela generalização.
Não é surpresa um veículo conservador e puritano como o jornal O Estado de São Paulo faça algo do tipo. Talvez seja uma afronta direta contra o portal da UOL, que oferece um dos melhores serviços nacionais de hospedagem de blogs, ou contra o G1 – portal da Globo –, que investe muito na prática da blogagem. Ou ainda, quem sabe, uma campanha agressiva sem noção de repercussão.Graças a velocidade de propagação das informações, o troco não demorou a aparecer. Começou nesta quinta-feira a divulgação de uma peça do mesmo estilo, com a foto do jornalista Pimenta Neves e com os seguintes dizeres: “E se o diretor do jornal que você lê for um assassino que matou a namorada pelas costas com requintes de crueldade?”. Além do troco, essa nova peça mostra que os blogueiros podem sim ter conteúdo e saber relacionar os fatos – coisa que a mídia peca muitas vezes em fazer.
É o medo da mudança e a falta de tino jornalístico para com o desenvolvimento que confirma a hipótese levantada pela revista The Economist, quando ela questionou “Quem matou os jornais?” (Who killed the newspaper? Economist, August 24th, 2006). Os impressos precisam urgentemente mudar e encontrar parcerias, e não inimigos, nos novos meios. Precisam adicionar uma palavra chamada convergência de meios, algo que os blogs fazem muito bem.Há mais de uma década que os blogs deixaram de ser território exclusivo de pessoas adeptas do “miguxês”. Hoje eles são instrumentos de perpetuação de informações, com um caráter espontâneo e dinâmico. É possível até arriscar dar o título de meio mais promissor em nosso tempo atual.
Seria engraçado, se não fosse desanimador. Como não podia deixar de ser, a campanha provocou a blogosfera e, conseqüentemente, muitos posts de protesto. Firmo aqui minha opinião: eu acredito no potencial dos blogs, só não sei mais se o jornalismo impresso tem salvação enquanto ele não se adaptar aos novos tempos.
Joel Minusculi
Que é blogueiro a três anos
A prática adotada pelo Colégio Evangélico Jaraguá, na cidade catarinense de Jaraguá do Sul, incita discussões sobre a eficácia do sistema entre os pedagogos e a população em geral. Cobrar R$ 0,10 por palavrão é considerada pela instituição como uma medida sócio-educativa. Muitos pais concordam, justamente por lidar com a formação de caráter de seus filhos. Porém, a questão contra a má educação começa muito antes dos bancos escolares.
Países europeus, como Alemanha, são adeptos há muito tempo da prática, tanto que utilizam no dia-a-dia em suas casas. Apesar da região sul ser considerada a “mais européia do Brasil”, a educação aqui, que volta e meia entra em pauta, deve ser adaptada à realidade dos jovens. Mesmo com o valor ínfimo, não são os alunos que bancam com as conseqüências, mas sim seus pais.
Em primeiro lugar é importante conscientizar. Não através de medidas opressivas, mas, como pretendem as escolas, dar autonomia para a vida. A educação depende de bases que apontem razões e as conseqüências dos atos. O exemplo deve partir das pessoas que são modelo na formação dos jovens. Estes são os professores e, principalmente, as pessoas do círculo social dos alunos – principalmente na figura dos pais.
A mão forte, que era usada antigamente para esfregar sabão na boca dos mal-educados, hoje deve ser firme, para ajudar os jovens no impacto das informações que dificilmente distinguem seu público – além do fenômeno da precocidade em várias aspectos sociais. Medidas desse tipo aliviam tanto o peso da dívida no bolso dos responsáveis, quanto a consciência dos envolvidos no processo educacional.

Este pode até ser mais um entre os 100 milhões de blogs que surgem por dia na internet. Porém, o motivo de seu nascimento é por uma causa nobre: desenvolver as técnicas do jornalismo opinativo. Aqui você poderá encontrar ensaios de editoriais, comentários e devaneios direcionados aos mais variados assuntos.
Graças às muitas possibilidades a blogagem oferece, o Palavras Linkadas apresentará seu conteúdo apoiado nas principais ferramentas que agilizam e articulam a obtenção da informação. Textos, imagens e vídeos estarão integrados para proporcionar a tão falada convergência – assunto na moda hoje em dia, quando o negócio é tecnologia.
Um dos principais recursos, como o próprio nome sugere, será o uso e abuso de links – o sublinhado e o azul nas expressões chaves -, que levará você aos mais inesperados destinos no infomar da grande rede.
O termo linkar hoje representa muito mais que criar o hipertexto. Significa desenvolver os assuntos de forma dinâmica, que acompanha o andar que as tecnologias impôem. Afinal, linkar o mundo é conectar idéias.
No mais, nada mais. Até mais!
Joel Minusculi
Que inaugura no momento seu terceiro blog


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