Os meios justificam e qualificam seus fins


Parece que há setores da sociedade que têm visão de futuro e de desenvolvimento. Posso estar muito enganado, ou talvez inebriado por códigos binários, mas a campanha do Estadão que desmerece os blogs não foi nada simpática. Nas propagandas veiculadas no começo dessa semana em impressos e televisão é colocada em cheque a confiabilidade da informação publicada nos blogs. Algo muito errado, principalmente pela generalização.

Não é surpresa um veículo conservador e puritano como o jornal O Estado de São Paulo faça algo do tipo. Talvez seja uma afronta direta contra o portal da UOL, que oferece um dos melhores serviços nacionais de hospedagem de blogs, ou contra o G1 – portal da Globo –, que investe muito na prática da blogagem. Ou ainda, quem sabe, uma campanha agressiva sem noção de repercussão.Graças a velocidade de propagação das informações, o troco não demorou a aparecer. Começou nesta quinta-feira a divulgação de uma peça do mesmo estilo, com a foto do jornalista Pimenta Neves e com os seguintes dizeres: “E se o diretor do jornal que você lê for um assassino que matou a namorada pelas costas com requintes de crueldade?”. Além do troco, essa nova peça mostra que os blogueiros podem sim ter conteúdo e saber relacionar os fatos – coisa que a mídia peca muitas vezes em fazer.

É o medo da mudança e a falta de tino jornalístico para com o desenvolvimento que confirma a hipótese levantada pela revista The Economist, quando ela questionou “Quem matou os jornais?” (Who killed the newspaper? Economist, August 24th, 2006). Os impressos precisam urgentemente mudar e encontrar parcerias, e não inimigos, nos novos meios. Precisam adicionar uma palavra chamada convergência de meios, algo que os blogs fazem muito bem.Há mais de uma década que os blogs deixaram de ser território exclusivo de pessoas adeptas do “miguxês”. Hoje eles são instrumentos de perpetuação de informações, com um caráter espontâneo e dinâmico. É possível até arriscar dar o título de meio mais promissor em nosso tempo atual.

Seria engraçado, se não fosse desanimador. Como não podia deixar de ser, a campanha provocou a blogosfera e, conseqüentemente, muitos posts de protesto. Firmo aqui minha opinião: eu acredito no potencial dos blogs, só não sei mais se o jornalismo impresso tem salvação enquanto ele não se adaptar aos novos tempos.

Joel Minusculi
Que é blogueiro a três anos

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